O processo grupal com pacientes na hemodiálise
a saúde sob o enfoque da expressão artística e da contação de histórias
“A vida é um sentimento de liberdade a cada piscar de olhos, deixa o nosso pensamento fluir e se encher de energias positivas para que o mundo conspire a favor da gente! Ame sua vida como um cristal, suave e doce. Brilhe e deixe sua vida irradiar Alegria!”
Não farei aqui uma descrição detalhada de todo o método utilizado, mas comentarei, apenas, sobre alguns pontos necessários ao que pretendo desenvolver, ou seja, a saúde, ainda que falemos em doença e, mais especificamente, Insuficiência Renal Crônica (IRC)
PSICOLOGIA SOCIAL E ARTETERAPIA
Na linha da Psicologia Social de Pichon-Rivière, com a qual trabalho, o importante em um grupo operativo ou grupo criativo, é que os participantes aprendam a pensar juntos, e compartilhar o que conhecem. Sob esse ponto de vista, pensamento e conhecimento não são fatos isolados, mas sociais - nascem na relação com o outro. Esse outro nos provoca sensações, emoções, intenções, perguntas nos oferecem respostas, hiatos, entusiasmo, desafios e assim por diante.
Assim podem exercitar o protagonismo em seu dia-a-dia, sendo autores de seu destino, rompendo com a mesmice.
Arte terapia atua de forma complementar à Medicina, tal como a fisioterapia, acupuntura e outros. Seu reconhecimento, como auxiliar desta. Ocorreu no século passado, mas desde 1876 há pesquisas sobre arte e psiquiatria. Utiliza materiais e técnicas da Arte, mas não tem a pretensão de formar artistas. No entanto, muitos talentos latentes - isto é, que estão adormecidos - pode ser despertado. A expressão artística é uma forma de acolhimento dos nossos potenciais e reconhecimento da nossa sensibilidade.
Em nós, há um mundo de experiências interiores, rico em símbolos e significados variados. Isto quer dizer que temos, em nosso interior, conteúdos que só podem ser acessados e expressos via linguagem artística. Como os expressamos? Nós o fazemos por meio da literatura, pintura, colagem, escultura enfim, temos diferentes formas de “falarmos” através da construção artística. Isso pode parecer estranho porque não fomos educados, via de regra, a utilizar essa linguagem em nosso cotidiano.
É necessário ser um artista para fazê-lo? Não. Observamos isto nos vários trabalhos realizados pelos pacientes, muitos dos quais verbalizaram que só o fizeram quando na escola e achavam que não conseguiriam concretizá-lo, outros nunca fizeram nada igual, nem na escola, e outros, nunca foram à escola. No entanto, ficaram felizes ao ver sua produção e mostrá-la aos demais colegas, pacientes da hemodiálise. Assim, novos temas – que não apenas a IRC – começaram a fazer parte de suas conversas no Hospital.
MÉTODO
As atividades propostas buscavam oferecer aos pacientes um auxiliar terapêutico com a finalidade de contribuir para o alívio de suas angústias, tensões relacionadas à doença e suas consequências, bem como colaborar para sua inserção na realidade com uma qualidade de vida melhor em todos os aspectos (físico, afetivo, social, entre outros), isto é, mais prazer em seu dia-a-dia.
Além disso, seguindo um roteiro, elaborado por mim, verificava se as práticas contribuíam para alterar a qualidade do sono, do humor, e como isso se refletia em outras áreas de suas vidas. Havia também contatos com as enfermeiras, os técnicos de enfermagem e entrevista com o médico responsável, com o intuito de ampliar os dados a respeito dos pacientes.
Usamos vários recursos arte terapêuticos encadeados e articulados ao objetivo proposto.
RECURSOS ARTETERAPÊUTICOS
Para a quebra de conteúdos já enraizados e cristalizados na mesmice do dia-a-dia dos pacientes, vou relatar, apenas, dois de uma cadeia de procedimentos (para os vários sentidos como audição, tato, visão, olfato) que constituem um método, para pacientes em estado de vulnerabilidade. Esse processo foi se construindo ao longo do tempo, mas não o abordaremos neste artigo. Sua finalidade era propiciar uma melhoria no quadro de saúde. São eles: a expressão artística dos sentimentos, imagens, sensações, ou ainda, conteúdos interiores acionados pelas atividades propostas, por meio de vários materiais adequados aos pacientes da hemodiálise como lápis de cor, giz de cera, colagem em cartolina, papel sulfite, tecido, entre outros. A contação de histórias que podem nos ensinar, aliviar nosso coração nas dificuldades, oferecer acolhimento, podem transformar os sofrimentos, amenizar ou mesmo curar nossas feridas. Foram usadas para que os pacientes pudessem recriar suas próprias histórias e não, para as ouvirem como meros espectadores, tão somente.
A nossa sociedade ainda é muito repressora ao falar de sexo. Existe uma falsa liberdade e muita hipocrisia reinante: sexo é sempre caracterizado perdendo-se muita qualidade com tal postura. Percebe-se em todos os indivíduos o reflexo deste recalque. Um exemplo clássico, um tanto antigo e, ao mesmo tempo, cada vez mais atual, é o da gravidez na adolescência. Apesar da quantidade de informação veiculada ainda persiste como assunto de extrema importância social e receio entre os adolescentes.
Acontece que as adolescentes ainda usam mal a tabelinha, pouca informação prática é oferecida - isso quando a correta informação atinge o universo deles e muitas garotas tomam pílula somente nos dias em que mantém relação sexual, colocam um absorvente com vinagre antes do coito, numa tentativa de anticoncepção, ou ainda acreditam que na primeira relação sexual não se engravida. Tudo isso, claro, não funciona e acaba gerando muita insegurança. Os meninos, por sua vez, ainda assumem a postura machista de deixar a anticoncepção por conta delas, como se a eles só coubessem a penetração e a elas, passíveis em todo o ato, tivessem que tomar conta de todo o resto.
Um método anticoncepcional cuja utilização tem crescido entre as meninas é a pílula. Mas vale lembrar que aquela que serve para uma amiga não serve para todas as outras. Cada uma tem um organismo que reage de forma diferente. Porém, elas relatam grande desconforto com a possibilidade dos pais descobrirem a cartela denunciando uma vida sexual ativa. Sabe-se da necessidade de se cuidar, mas o ter que "fazer escondido" gera angústia e falta de autonomia.
Já com os meninos, o medo é de broxar. Ficam imaginando o que aconteceria com a reputação deles se não "dessem conta" do recado. Por isso, muitos estão tomando Viagra, medicamentos desenvolvidos pela Pfizer usada para tratar impotência masculina, como uma medida paliativa - e irresponsável - contra a disfunção erétil. Além disso, o temor do tamanho do pênis já é algo que acompanha os meninos nessa idade.
Uma coisa é certa: todos estão no "mesmo barco" com as mesmas angústias e temores. Compartilham as informações e as dúvidas com os amigos que sabem tanto quanto eles próprios. E nessa roda de "troca" de conhecimentos, viciam as mesmas questões e acabam cristalizando erros por falta de informação.
Tal quadro é alarmante. Hoje pais e educadores parecem se preocupar mais. Por outro lado, a rapidez da vida atual não deixa tempo para que seja entendido de quem é afinal a responsabilidade de tal assunto: da escola ou da família. Mas será que ao se tratar de sexualidade há como fazer uma educação fragmentada, pela escola OU pela família?
A melhor educação é aquela que fixa limites: os indivíduos em desenvolvimento precisam para que possam assumir responsabilidades e os pais necessitam de limites no papel de educadores já que não podem determinar a vida dos filhos para sempre. À escola cabe punir o aluno contra a transgressão da lei além da obrigação de protegê-los. Pela falta de procedimentos educativos sexuais, as deformações dos pensamentos circulam livremente. A ausência da institucionalização da educação sexual alimenta e autoriza opiniões e conceitos distorcidos sobre as questões sexuais.
Vale se questionar: "De onde tiramos tanta crença que só faz empobrecer e dificultar o sexo?" Estas mensagens entram com facilidade em nossas mentes, porque temos uma insegurança básica sobre sexo e anseio por qualquer informação sexual. Por ser um dos mais essenciais exercícios do instinto humano, o sexo tem sido causa de numerosos desacertos e mitos, pois nossa sociedade ainda é preconceituosa e ignorante em relação à sexualidade.
Os mitos são instituídos com a função de divulgar a expressão social, e são perpetrados através das gerações. Dificultam o acesso a uma vida sexual saudável e sem angústias, levando inadequações e disfunções sexuais. Eles desenvolvem-se no ambiente dos temores e proibições que induzem ao sofrimento dispensável. Esse ambiente propicia o surgimento de novos mitos, reveladores de receios e inseguranças pessoais, não permitindo a satisfação plena. Um excelente remédio contra esse mal-estar, não só para os adolescentes, mas para todas as pessoas em geral é a informação e sinceridade para poder lidar com tais crenças e (reconquistar) conquistar a habilidade de realização.
A gravidez pode ocorrer sempre que a mulher estiver no período fértil e tiver contato com o esperma do homem (que sai inclusive, mesmo que em pequenas quantidades, antes da ejaculação) no canal vaginal. Assim, se o menino ejacular fora, com famoso coito interrompido, mas o esperma escorrer para a vagina, a menina corre o risco de engravidar.
a saúde sob o enfoque da expressão artística e da contação de histórias
“A vida é um sentimento de liberdade a cada piscar de olhos, deixa o nosso pensamento fluir e se encher de energias positivas para que o mundo conspire a favor da gente! Ame sua vida como um cristal, suave e doce. Brilhe e deixe sua vida irradiar Alegria!”
Não farei aqui uma descrição detalhada de todo o método utilizado, mas comentarei, apenas, sobre alguns pontos necessários ao que pretendo desenvolver, ou seja, a saúde, ainda que falemos em doença e, mais especificamente, Insuficiência Renal Crônica (IRC)
PSICOLOGIA SOCIAL E ARTETERAPIA
Na linha da Psicologia Social de Pichon-Rivière, com a qual trabalho, o importante em um grupo operativo ou grupo criativo, é que os participantes aprendam a pensar juntos, e compartilhar o que conhecem. Sob esse ponto de vista, pensamento e conhecimento não são fatos isolados, mas sociais - nascem na relação com o outro. Esse outro nos provoca sensações, emoções, intenções, perguntas nos oferecem respostas, hiatos, entusiasmo, desafios e assim por diante.
Assim podem exercitar o protagonismo em seu dia-a-dia, sendo autores de seu destino, rompendo com a mesmice.
Arte terapia atua de forma complementar à Medicina, tal como a fisioterapia, acupuntura e outros. Seu reconhecimento, como auxiliar desta. Ocorreu no século passado, mas desde 1876 há pesquisas sobre arte e psiquiatria. Utiliza materiais e técnicas da Arte, mas não tem a pretensão de formar artistas. No entanto, muitos talentos latentes - isto é, que estão adormecidos - pode ser despertado. A expressão artística é uma forma de acolhimento dos nossos potenciais e reconhecimento da nossa sensibilidade.
Em nós, há um mundo de experiências interiores, rico em símbolos e significados variados. Isto quer dizer que temos, em nosso interior, conteúdos que só podem ser acessados e expressos via linguagem artística. Como os expressamos? Nós o fazemos por meio da literatura, pintura, colagem, escultura enfim, temos diferentes formas de “falarmos” através da construção artística. Isso pode parecer estranho porque não fomos educados, via de regra, a utilizar essa linguagem em nosso cotidiano.
É necessário ser um artista para fazê-lo? Não. Observamos isto nos vários trabalhos realizados pelos pacientes, muitos dos quais verbalizaram que só o fizeram quando na escola e achavam que não conseguiriam concretizá-lo, outros nunca fizeram nada igual, nem na escola, e outros, nunca foram à escola. No entanto, ficaram felizes ao ver sua produção e mostrá-la aos demais colegas, pacientes da hemodiálise. Assim, novos temas – que não apenas a IRC – começaram a fazer parte de suas conversas no Hospital.
MÉTODO
As atividades propostas buscavam oferecer aos pacientes um auxiliar terapêutico com a finalidade de contribuir para o alívio de suas angústias, tensões relacionadas à doença e suas consequências, bem como colaborar para sua inserção na realidade com uma qualidade de vida melhor em todos os aspectos (físico, afetivo, social, entre outros), isto é, mais prazer em seu dia-a-dia.
Além disso, seguindo um roteiro, elaborado por mim, verificava se as práticas contribuíam para alterar a qualidade do sono, do humor, e como isso se refletia em outras áreas de suas vidas. Havia também contatos com as enfermeiras, os técnicos de enfermagem e entrevista com o médico responsável, com o intuito de ampliar os dados a respeito dos pacientes.
Usamos vários recursos arte terapêuticos encadeados e articulados ao objetivo proposto.
RECURSOS ARTETERAPÊUTICOS
Para a quebra de conteúdos já enraizados e cristalizados na mesmice do dia-a-dia dos pacientes, vou relatar, apenas, dois de uma cadeia de procedimentos (para os vários sentidos como audição, tato, visão, olfato) que constituem um método, para pacientes em estado de vulnerabilidade. Esse processo foi se construindo ao longo do tempo, mas não o abordaremos neste artigo. Sua finalidade era propiciar uma melhoria no quadro de saúde. São eles: a expressão artística dos sentimentos, imagens, sensações, ou ainda, conteúdos interiores acionados pelas atividades propostas, por meio de vários materiais adequados aos pacientes da hemodiálise como lápis de cor, giz de cera, colagem em cartolina, papel sulfite, tecido, entre outros. A contação de histórias que podem nos ensinar, aliviar nosso coração nas dificuldades, oferecer acolhimento, podem transformar os sofrimentos, amenizar ou mesmo curar nossas feridas. Foram usadas para que os pacientes pudessem recriar suas próprias histórias e não, para as ouvirem como meros espectadores, tão somente.
HISTÓRIAS EM DESTAQUE
Gostaria de comentar, em função do nosso tema, sobre o Sr. Juarez (nome fictício). Não havia brilho em seu olhar, nada significativo era percebido em sua vida. Durante o processo, ele e outros pacientes diziam “ter uma vida normal” e, depois de estabelecer um vínculo de maior confiança comigo, falavam de como esse processo “mexia com tudo”, e até ouvi que a vida era como a de “um vegetal”.
Essas falas muito me impactaram. Se havia aqueles e aquelas que lutavam e permaneciam com um sorriso nos lábios, entendi essas frases como algo que podia estar presente no grupo, ainda que essas questões não fossem abordadas diretamente, compondo o que denominamos de conteúdo implícito ou não ditas.
Sr. Juarez, e as outras pessoas, do meu ponto de vista, representavam o que, no referencial teórico da Psicologia Social de Pichon-Rivière, é chamado de porta-voz grupal. Isso diz respeito a alguém, ou algumas pessoas que expressam algo seu, mas também falam, sem o saber, ou seja, de maneira inconsciente, de algo que circula no grupo. Um exemplo, só para que isso fique claro, é do filho de pais que estão se separando e possuem dificuldade em estabelecer um diálogo sincero, genuíno sobre esse processo. A criança começa a ter dificuldades de aprendizagem na escola. A dificuldade é da criança, mas ela está sendo uma mensageira, uma portadora da dificuldade de aprendizagem que assola o grupo familiar nesse novo momento. Como vimos, estamos imersos em grupos aos quais pertencemos e falamos por nós e, muitas vezes, em nome deles, sem nos darmos conta desse processo.
A IMPORTÂNCIA DO SONHAR
Eu perguntei ao Sr. Juarez se ele não sonhava mais, se ele não ensinava seu netinho a sonhar... a ir para outros lugares em seu coração. Ele, apenas, me olhou e nada disse.
Para o Sr. Juarez escolhi a história , abaixo, que reconto a você, leitor/leitora, como recontei a ele e a todos os participantes do grupo:
Era uma vez um mascate que tinha uma vida muito pacata e simples. Vivia numa velha casa, com algumas vidraças quebradas, por onde entravam pássaros que cantavam bem cedinho, acordando o mascate. À noite, quando havia lua, o céu prateado, juntamente com o brilho das estrelas, entrava em sua casa e o convidava a sonhar, além de deixá-lo muito feliz! Havia também em seu quintal, além de outras árvores, uma macieira linda, linda, cujos frutos eram doces, doces e muito, muito saborosos!
Esse homem vendia de tudo: agulhas, pedras variadas, preciosas e semipreciosas, tecidos multicoloridos, partitura de canções, sabonetes, perfumes e até colchetes. Assim era sua vida: saia pela cidade e vizinhança para vender seus objetos e voltava, sempre acompanhado pelo seu fiel cãozinho “Cara Suja”! No entanto, havia um sonho que se repetia várias e várias vezes. Ele dizia ao mascate: “Você precisa atravessar a ponte!”. O mascate acordava assustado, suando em bicas! Mas em seguida, dizia para si mesmo que aquilo era apenas um sonho e continuava seus afazeres, sua rotina. Começava a ir para lá, para cá, falava com um, vendia para outro e o Cara Suja, também, ia para lá e para cá com ele e, assim, aquelas emoções e pensamentos passavam lentamente...
Até que, um dia, aquela voz começou a ficar constante. Não era mais só durante o sono que vinha para lhe dizer, sempre a mesma coisa: “Você precisa atravessar a ponte!”. Durante todo o dia ela o surpreendia. E ele se dizia: “a gente não tem que dar ouvido a sonhos!”
No entanto, essa voz foi ficando tão, tão, tão forte e ele foi descobrindo que outra parte dele mesmo lhe dizia: “sonho é uma coisa preciosa!” Assim, ele resolveu, finalmente, fazer a viagem que o levaria além da ponte. Pegou seu farnel e o encheu com água límpida e cristalina, a comida, a Cara Suja e foi na direção do outro lado da sua cidade. Era uma longa jornada que levava um mês!
Gostaria de comentar, em função do nosso tema, sobre o Sr. Juarez (nome fictício). Não havia brilho em seu olhar, nada significativo era percebido em sua vida. Durante o processo, ele e outros pacientes diziam “ter uma vida normal” e, depois de estabelecer um vínculo de maior confiança comigo, falavam de como esse processo “mexia com tudo”, e até ouvi que a vida era como a de “um vegetal”.
Essas falas muito me impactaram. Se havia aqueles e aquelas que lutavam e permaneciam com um sorriso nos lábios, entendi essas frases como algo que podia estar presente no grupo, ainda que essas questões não fossem abordadas diretamente, compondo o que denominamos de conteúdo implícito ou não ditas.
Sr. Juarez, e as outras pessoas, do meu ponto de vista, representavam o que, no referencial teórico da Psicologia Social de Pichon-Rivière, é chamado de porta-voz grupal. Isso diz respeito a alguém, ou algumas pessoas que expressam algo seu, mas também falam, sem o saber, ou seja, de maneira inconsciente, de algo que circula no grupo. Um exemplo, só para que isso fique claro, é do filho de pais que estão se separando e possuem dificuldade em estabelecer um diálogo sincero, genuíno sobre esse processo. A criança começa a ter dificuldades de aprendizagem na escola. A dificuldade é da criança, mas ela está sendo uma mensageira, uma portadora da dificuldade de aprendizagem que assola o grupo familiar nesse novo momento. Como vimos, estamos imersos em grupos aos quais pertencemos e falamos por nós e, muitas vezes, em nome deles, sem nos darmos conta desse processo.
A IMPORTÂNCIA DO SONHAR
Eu perguntei ao Sr. Juarez se ele não sonhava mais, se ele não ensinava seu netinho a sonhar... a ir para outros lugares em seu coração. Ele, apenas, me olhou e nada disse.
Para o Sr. Juarez escolhi a história , abaixo, que reconto a você, leitor/leitora, como recontei a ele e a todos os participantes do grupo:
Era uma vez um mascate que tinha uma vida muito pacata e simples. Vivia numa velha casa, com algumas vidraças quebradas, por onde entravam pássaros que cantavam bem cedinho, acordando o mascate. À noite, quando havia lua, o céu prateado, juntamente com o brilho das estrelas, entrava em sua casa e o convidava a sonhar, além de deixá-lo muito feliz! Havia também em seu quintal, além de outras árvores, uma macieira linda, linda, cujos frutos eram doces, doces e muito, muito saborosos!
Esse homem vendia de tudo: agulhas, pedras variadas, preciosas e semipreciosas, tecidos multicoloridos, partitura de canções, sabonetes, perfumes e até colchetes. Assim era sua vida: saia pela cidade e vizinhança para vender seus objetos e voltava, sempre acompanhado pelo seu fiel cãozinho “Cara Suja”! No entanto, havia um sonho que se repetia várias e várias vezes. Ele dizia ao mascate: “Você precisa atravessar a ponte!”. O mascate acordava assustado, suando em bicas! Mas em seguida, dizia para si mesmo que aquilo era apenas um sonho e continuava seus afazeres, sua rotina. Começava a ir para lá, para cá, falava com um, vendia para outro e o Cara Suja, também, ia para lá e para cá com ele e, assim, aquelas emoções e pensamentos passavam lentamente...
Até que, um dia, aquela voz começou a ficar constante. Não era mais só durante o sono que vinha para lhe dizer, sempre a mesma coisa: “Você precisa atravessar a ponte!”. Durante todo o dia ela o surpreendia. E ele se dizia: “a gente não tem que dar ouvido a sonhos!”
No entanto, essa voz foi ficando tão, tão, tão forte e ele foi descobrindo que outra parte dele mesmo lhe dizia: “sonho é uma coisa preciosa!” Assim, ele resolveu, finalmente, fazer a viagem que o levaria além da ponte. Pegou seu farnel e o encheu com água límpida e cristalina, a comida, a Cara Suja e foi na direção do outro lado da sua cidade. Era uma longa jornada que levava um mês!
1 - Anotações da história contada por Alessandra Giordano,
em seu ateliê, em 10 de março de 2008.
em seu ateliê, em 10 de março de 2008.
Quando chegou à cidade havia tanto trânsito de carroças! Olhou para um lado, olhou para outro, não via nada de excepcional. Até que avistou um rio. Para ele se dirigiu, ao mesmo tempo em que pensava: “o que devo aprender aqui?” “Por que devo estar aqui?”
O tempo foi passando, a água e o alimento foram terminando, o dinheiro também. E ele não sabia o que tinha de aprender. A noite chegou e ele imaginou que algo lhe traria a informação. Mas nada ocorreu e ele, desanimado, se questionava sobre a loucura que fizera.
No dia seguinte, atravessou a rua e ficou sentado em um degrau de uma pequena escada que levava à porta de uma loja muito bonita, de artigos femininos e refinados. O dono da loja, um homem empertigado, bastante imponente lhe perguntou: “Forasteiro, o que o traz aqui à porta de minha loja?” O mascate, humildemente, lhe relatou a história de sua viagem até aquela cidade. O homem imponente começou a rir do mascate às gargalhadas e lhe disse que também tinha sonhos que se repetiam, mas imagine se fosse dar atenção a isso, sonhos são sonhos, mas a realidade é muito diferente! “Imagine, disse ele ao mascate, tenho um sonho que me diz para ir a uma cidade - cujo nome era de onde viera o mascate - e lá há uma casa com uma macieira centenária belíssima, sob a qual há muitos tesouros.” Ao ouvir isso, embora o tal homem continuasse a falar, o mascate saiu apressado e nem mesmo se despediu direito. Voltou rápido, rápido, muito rápido! Até Cara Suja tinha dificuldade para acompanhá-lo. Fez o percurso de volta à sua casa na metade do tempo. Quando chegou, esbaforido, foi direto à macieira, revolveu a terra e, qual não foi sua surpresa: havia três grandes arcas cheias de moedas de ouro e pedras preciosas. Ele ficou paralisado, mas muito, muito feliz! Mas como era muito generoso, distribuiu dois desses baús para a gente da sua comunidade, e ficou com um para realizar seu sonho de ser feliz...
E qual é o seu sonho, perguntei a todos? Pergunto a você, leitor/leitora, o mesmo: qual é o seu sonho?
AS MUDANÇAS EXPRESSAS EM CORES E FORMAS
Aos poucos Sr. Juarez foi se entregando aos exercícios e fazendo a meditação proposta. O resultado é que passou, durante o tempo dessa pesquisa, a deixar de ter insônia, a mudança de seu comportamento foi sublinhada pelo médico, responsável do plantão em nosso dia, que apontou o fato dele “estar mais calmo”, passando a solicitar menos a equipe da enfermagem, fato esse desconhecido por mim, até então. Sua última produção, em guache, ilustra uma imagem que se assemelha a um céu, colorido e belíssimo! Algo inacreditável!
Quando sua produção foi mostrada aos seus colegas, os outros pacientes, todos, sem exceção, expressaram o quanto tinham admirado, pelo microfone (sim, adquiri um microfone e uma caixa de som! Assim, todos podiam falar e serem ouvidos, ainda que sentados, no amplo salão da diálise em forma de oito) para que ele ouvisse, o que o fez se emocionar.
EQUIPE DE ENFERMAGEM
A equipe de enfermagem foi mobilizada pela expressão artística dos pacientes. Havia um empenho para que as obras fossem produzidas, houve emoção, desejo de compartilhar o material como confecção de flores e folhas, sugestões para que fossem colocadas no painel transportado durante as sessões para o salão da hemodiálise, assim como as rodinhas no painel para que sua locomoção fosse facilitada. Outros setores também participaram, como os que trazem a refeição para os pacientes. Enfim, a atividade funcionou como um eixo organizador da interação e expressão de sentimentos presentes no coletivo.
ALGUNS DOS RESULTADOS
O tempo foi passando, a água e o alimento foram terminando, o dinheiro também. E ele não sabia o que tinha de aprender. A noite chegou e ele imaginou que algo lhe traria a informação. Mas nada ocorreu e ele, desanimado, se questionava sobre a loucura que fizera.
No dia seguinte, atravessou a rua e ficou sentado em um degrau de uma pequena escada que levava à porta de uma loja muito bonita, de artigos femininos e refinados. O dono da loja, um homem empertigado, bastante imponente lhe perguntou: “Forasteiro, o que o traz aqui à porta de minha loja?” O mascate, humildemente, lhe relatou a história de sua viagem até aquela cidade. O homem imponente começou a rir do mascate às gargalhadas e lhe disse que também tinha sonhos que se repetiam, mas imagine se fosse dar atenção a isso, sonhos são sonhos, mas a realidade é muito diferente! “Imagine, disse ele ao mascate, tenho um sonho que me diz para ir a uma cidade - cujo nome era de onde viera o mascate - e lá há uma casa com uma macieira centenária belíssima, sob a qual há muitos tesouros.” Ao ouvir isso, embora o tal homem continuasse a falar, o mascate saiu apressado e nem mesmo se despediu direito. Voltou rápido, rápido, muito rápido! Até Cara Suja tinha dificuldade para acompanhá-lo. Fez o percurso de volta à sua casa na metade do tempo. Quando chegou, esbaforido, foi direto à macieira, revolveu a terra e, qual não foi sua surpresa: havia três grandes arcas cheias de moedas de ouro e pedras preciosas. Ele ficou paralisado, mas muito, muito feliz! Mas como era muito generoso, distribuiu dois desses baús para a gente da sua comunidade, e ficou com um para realizar seu sonho de ser feliz...
E qual é o seu sonho, perguntei a todos? Pergunto a você, leitor/leitora, o mesmo: qual é o seu sonho?
AS MUDANÇAS EXPRESSAS EM CORES E FORMAS
Aos poucos Sr. Juarez foi se entregando aos exercícios e fazendo a meditação proposta. O resultado é que passou, durante o tempo dessa pesquisa, a deixar de ter insônia, a mudança de seu comportamento foi sublinhada pelo médico, responsável do plantão em nosso dia, que apontou o fato dele “estar mais calmo”, passando a solicitar menos a equipe da enfermagem, fato esse desconhecido por mim, até então. Sua última produção, em guache, ilustra uma imagem que se assemelha a um céu, colorido e belíssimo! Algo inacreditável!
Quando sua produção foi mostrada aos seus colegas, os outros pacientes, todos, sem exceção, expressaram o quanto tinham admirado, pelo microfone (sim, adquiri um microfone e uma caixa de som! Assim, todos podiam falar e serem ouvidos, ainda que sentados, no amplo salão da diálise em forma de oito) para que ele ouvisse, o que o fez se emocionar.
EQUIPE DE ENFERMAGEM
A equipe de enfermagem foi mobilizada pela expressão artística dos pacientes. Havia um empenho para que as obras fossem produzidas, houve emoção, desejo de compartilhar o material como confecção de flores e folhas, sugestões para que fossem colocadas no painel transportado durante as sessões para o salão da hemodiálise, assim como as rodinhas no painel para que sua locomoção fosse facilitada. Outros setores também participaram, como os que trazem a refeição para os pacientes. Enfim, a atividade funcionou como um eixo organizador da interação e expressão de sentimentos presentes no coletivo.
ALGUNS DOS RESULTADOS
Os trabalhos, feitos durante a sessão de diálise em que os (as) pacientes só utilizavam uma das mãos, pois a outra estava com o cateter, culminaram numa amostra coletiva de seus trabalhos, exposta no Hospital. A finalidade dessa exposição era que todos os pacientes pudessem se reconhecer como pessoas criativas, produtivas, capazes de se expressar com cores, com muita beleza e não, apenas, como portadores de IRC, à espera de um transplante ou sem perspectiva de viver com uma melhor qualidade. Nessa amostra, houve expressões artísticas individuais e coletivas. Não é preciso dizer o quanto essa experiência lhes foi significativa. Durante a exposição, a filha de uma paciente relatou como sua mãe ficou “eufórica” com a própria produção. Sabemos como a alegria é um importante auxiliar, no quadro de todos e todas pacientes, ao incrementar a endorfina, o chamado hormônio que provoca a sensação de felicidade.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Nessa experiência foi possível notar, a partir da fala daqueles pacientes comprometidos com a nossa proposta, que conseguiram se tornar mais tranquilos, ter esperanças, ter mais segurança em si próprios, melhor disposição de humor, sono com uma melhor qualidade e perceberam que o tempo passava mais rápido durante o processo de diálise. O médico, responsável pelos serviços nesse dia, e alguns técnicos da enfermagem falaram da diminuição das intercorrências como: câimbras, solicitações para virar de um lado e outro da cadeira, queixas sobre a pressão, dor de cabeça e outras para que a diálise se encerrasse antes.
Essa produção coletiva pode parecer algo simples e singelo, mas todos sabem do seu grande significado. De uma forma simbólica, metafórica, as pessoas exercitaram não a passividade, mas o protagonismo da sua própria história, ou seja, a direção dos fatos, a produção conjunta. Lembrando que é com o outro que nos descobrimos e podemos nos tornar mais inteiros são com o outro, e com suas percepções a nosso respeito, que ampliamos o sentido de quem somos e o que provocamos ao nosso redor, afinal todos temos um curador e um criador interior, acionado pelo grau de dedicação de cada um, e não apenas pela atuação do psicólogo.
O trabalho esteve pautado pelo processo de criação e recriação de nossas buscas, nossas dores, procurando embarcar numa aventura de simplesmente ser quem somos.
O intento do trabalho foi cumprido. Não o de distrair os pacientes, mas de encontrar um sentido para a vida! Significou empreender uma jornada que exigiu, no mínimo, coragem para se abrir ao novo. Sabemos que não basta, somente, abrir as portas, é necessário se comprometer com as mudanças em um lugar profundo de nós mesmos, e de forma perseverante. Essa proposta foi firmada pelo desejo de desencadear um processo de releitura do cotidiano, ou seja, de rompimento da rotina de ser sempre do mesmo jeito. Um jeito viciado de achar que não podemos incluir, onde quer que estejamos, cores, novos e bonitos sons, calor humano e criação. E quem disse que isso precisa ser somente por meio do sofrimento? Esse foi o sentido desse trabalho, que se estendeu além dessa amostra coletiva, pois a beleza, a expressão artística e a troca de experiências genuínas e revitalizantes, com o outro, propiciam uma melhor qualidade de viver nossa humanidade.
MITOS, SEXUALIDADE, ADOLESCENCIA E SOCIEDADE.
Nessa experiência foi possível notar, a partir da fala daqueles pacientes comprometidos com a nossa proposta, que conseguiram se tornar mais tranquilos, ter esperanças, ter mais segurança em si próprios, melhor disposição de humor, sono com uma melhor qualidade e perceberam que o tempo passava mais rápido durante o processo de diálise. O médico, responsável pelos serviços nesse dia, e alguns técnicos da enfermagem falaram da diminuição das intercorrências como: câimbras, solicitações para virar de um lado e outro da cadeira, queixas sobre a pressão, dor de cabeça e outras para que a diálise se encerrasse antes.
Essa produção coletiva pode parecer algo simples e singelo, mas todos sabem do seu grande significado. De uma forma simbólica, metafórica, as pessoas exercitaram não a passividade, mas o protagonismo da sua própria história, ou seja, a direção dos fatos, a produção conjunta. Lembrando que é com o outro que nos descobrimos e podemos nos tornar mais inteiros são com o outro, e com suas percepções a nosso respeito, que ampliamos o sentido de quem somos e o que provocamos ao nosso redor, afinal todos temos um curador e um criador interior, acionado pelo grau de dedicação de cada um, e não apenas pela atuação do psicólogo.
O trabalho esteve pautado pelo processo de criação e recriação de nossas buscas, nossas dores, procurando embarcar numa aventura de simplesmente ser quem somos.
O intento do trabalho foi cumprido. Não o de distrair os pacientes, mas de encontrar um sentido para a vida! Significou empreender uma jornada que exigiu, no mínimo, coragem para se abrir ao novo. Sabemos que não basta, somente, abrir as portas, é necessário se comprometer com as mudanças em um lugar profundo de nós mesmos, e de forma perseverante. Essa proposta foi firmada pelo desejo de desencadear um processo de releitura do cotidiano, ou seja, de rompimento da rotina de ser sempre do mesmo jeito. Um jeito viciado de achar que não podemos incluir, onde quer que estejamos, cores, novos e bonitos sons, calor humano e criação. E quem disse que isso precisa ser somente por meio do sofrimento? Esse foi o sentido desse trabalho, que se estendeu além dessa amostra coletiva, pois a beleza, a expressão artística e a troca de experiências genuínas e revitalizantes, com o outro, propiciam uma melhor qualidade de viver nossa humanidade.
MITOS, SEXUALIDADE, ADOLESCENCIA E SOCIEDADE.
A nossa sociedade ainda é muito repressora ao falar de sexo. Existe uma falsa liberdade e muita hipocrisia reinante: sexo é sempre caracterizado perdendo-se muita qualidade com tal postura. Percebe-se em todos os indivíduos o reflexo deste recalque. Um exemplo clássico, um tanto antigo e, ao mesmo tempo, cada vez mais atual, é o da gravidez na adolescência. Apesar da quantidade de informação veiculada ainda persiste como assunto de extrema importância social e receio entre os adolescentes.
Acontece que as adolescentes ainda usam mal a tabelinha, pouca informação prática é oferecida - isso quando a correta informação atinge o universo deles e muitas garotas tomam pílula somente nos dias em que mantém relação sexual, colocam um absorvente com vinagre antes do coito, numa tentativa de anticoncepção, ou ainda acreditam que na primeira relação sexual não se engravida. Tudo isso, claro, não funciona e acaba gerando muita insegurança. Os meninos, por sua vez, ainda assumem a postura machista de deixar a anticoncepção por conta delas, como se a eles só coubessem a penetração e a elas, passíveis em todo o ato, tivessem que tomar conta de todo o resto.
Um método anticoncepcional cuja utilização tem crescido entre as meninas é a pílula. Mas vale lembrar que aquela que serve para uma amiga não serve para todas as outras. Cada uma tem um organismo que reage de forma diferente. Porém, elas relatam grande desconforto com a possibilidade dos pais descobrirem a cartela denunciando uma vida sexual ativa. Sabe-se da necessidade de se cuidar, mas o ter que "fazer escondido" gera angústia e falta de autonomia.
Já com os meninos, o medo é de broxar. Ficam imaginando o que aconteceria com a reputação deles se não "dessem conta" do recado. Por isso, muitos estão tomando Viagra, medicamentos desenvolvidos pela Pfizer usada para tratar impotência masculina, como uma medida paliativa - e irresponsável - contra a disfunção erétil. Além disso, o temor do tamanho do pênis já é algo que acompanha os meninos nessa idade.
Uma coisa é certa: todos estão no "mesmo barco" com as mesmas angústias e temores. Compartilham as informações e as dúvidas com os amigos que sabem tanto quanto eles próprios. E nessa roda de "troca" de conhecimentos, viciam as mesmas questões e acabam cristalizando erros por falta de informação.
Tal quadro é alarmante. Hoje pais e educadores parecem se preocupar mais. Por outro lado, a rapidez da vida atual não deixa tempo para que seja entendido de quem é afinal a responsabilidade de tal assunto: da escola ou da família. Mas será que ao se tratar de sexualidade há como fazer uma educação fragmentada, pela escola OU pela família?
A melhor educação é aquela que fixa limites: os indivíduos em desenvolvimento precisam para que possam assumir responsabilidades e os pais necessitam de limites no papel de educadores já que não podem determinar a vida dos filhos para sempre. À escola cabe punir o aluno contra a transgressão da lei além da obrigação de protegê-los. Pela falta de procedimentos educativos sexuais, as deformações dos pensamentos circulam livremente. A ausência da institucionalização da educação sexual alimenta e autoriza opiniões e conceitos distorcidos sobre as questões sexuais.
Vale se questionar: "De onde tiramos tanta crença que só faz empobrecer e dificultar o sexo?" Estas mensagens entram com facilidade em nossas mentes, porque temos uma insegurança básica sobre sexo e anseio por qualquer informação sexual. Por ser um dos mais essenciais exercícios do instinto humano, o sexo tem sido causa de numerosos desacertos e mitos, pois nossa sociedade ainda é preconceituosa e ignorante em relação à sexualidade.
Os mitos são instituídos com a função de divulgar a expressão social, e são perpetrados através das gerações. Dificultam o acesso a uma vida sexual saudável e sem angústias, levando inadequações e disfunções sexuais. Eles desenvolvem-se no ambiente dos temores e proibições que induzem ao sofrimento dispensável. Esse ambiente propicia o surgimento de novos mitos, reveladores de receios e inseguranças pessoais, não permitindo a satisfação plena. Um excelente remédio contra esse mal-estar, não só para os adolescentes, mas para todas as pessoas em geral é a informação e sinceridade para poder lidar com tais crenças e (reconquistar) conquistar a habilidade de realização.
A gravidez pode ocorrer sempre que a mulher estiver no período fértil e tiver contato com o esperma do homem (que sai inclusive, mesmo que em pequenas quantidades, antes da ejaculação) no canal vaginal. Assim, se o menino ejacular fora, com famoso coito interrompido, mas o esperma escorrer para a vagina, a menina corre o risco de engravidar.
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