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PREVENÇÃO DA ARTERIOESCLEROSE

PREVENÇÃO DA ARTERIOESCLEROSE

DIETA DESDE A INFÂNCIA

Entre os fatores conhecidos que propiciam o desenvolvimento da arteriosclerose e as doenças conseqüentes a ela estão: a idade, o sexo da pessoa, a hereditariedade, o estilo de vida sedentário, o diabete, o fumo, o uso de alguns medicamentos, as tensões da vida e a dieta.

ALGUNS DESTES FATORES PODEM SER ALTERADOS OU CORRIGIDOS.

O fator dieta é um dos participantes no desenvolvimento da degeneração das artérias. Os cuidados dietéticos são importantes desde os primeiros anos de vida de uma pessoa, pois é na infância que criamos os nossos hábitos alimentares. Cabe aos pais e avós conduzirem as crianças para uma dieta saudável que vai beneficiá-las em anos posteriores.

Criar maus hábitos de alimentação faz com que as crianças se acostumem a comer aquilo que pode prejudicá-las quando adultos.

Todos sabem que as comidas da vovó, os quitutes das festas, as delícias dos restaurantes, tipo comida ligeira, são muito sedutoras para as crianças, que, podendo, comerão sempre o que lhes agrada. Acabarão sendo obesas e propensas a adoecer num futuro mais próximo. Cabe aos responsáveis “segurá-los” nestes impulsos. Se necessário, procurar a ajuda de um médico.

Os pais querem que os filhos sejam saudáveis tanto na infância como na vida futura. Todavia, proibir tudo que seja considerado prejudicial propicia à criança, futuramente, quando puder se comandar e decidir por si, comer tudo que lhe foi proibido na infância. Por isso é necessário manter um equilíbrio. Por exemplo, criança gosta de batata frita, ovo frito e bife. Três alimentos fritos, não recomendados para quem quer evitar a arterioesclerose.

Recomenda-se que alimentos deste tipo sejam permitidos somente em alguns dias, uma vez por semana. Deve-se cuidar para que nos outros dias recebam alimentos tidos como saudáveis. Não se deve proibir tudo, não se deve proibir para sempre, deve-se permitir algumas escapadas para que as crianças não se sintam diferentes ou excluídas. O nunca seria uma crueldade. Proibir que, numa festa, a criança coma o que as outras estão comendo, pode deixá-las frustradas.

Recomenda-se que se induza a criança a imitar os pais e os avós, mais preocupados com as suas artérias e que estão mais vigilantes quanto a manter uma boa alimentação, evitando desvios alimentares.

As crianças são propensas à imitação, é relativamente fácil induzi-las a imitar os adultos. Para conseguir isso é primordial que não se faça comidas especiais para os pequenos. Eles comem com os olhos, se houver doces, frituras, bolinhos fritos, embutidos gordos, etc., à mesa, eles vão querer. Se em vez de um sorvete de creme coberto de nata, houver uma fruta enfeitada ou recortada artisticamente, eles vão comer com o mesmo apetite. Isto será mais fácil de conseguir uma vez que ainda não tenham criado hábitos alimentares não recomendáveis. Portanto, é necessário que, desde pequenos, se lhes incuta hábitos salutares. Podem saber que as coisas ditas boas existem, mas que não estão sempre à disposição, que podem comer disto ou daquilo só em certas ocasiões.

É comum observarmos pais dizendo que se não derem para comer aos filhos aquilo que pedem, ou exigem, vão ficar magros, fracos ou mesmo doentes. Na verdade, esta recusa em comer pode durar um ou dois dias, mas chegará a hora em que a fome vencerá as resistências.

O QUE É CONSIDERADO SAUDÁVEL?

Ou qual é a dieta recomendável para evitar as doenças degenerativas conseqüentes a desvios da dieta?

Basicamente, a alimentação humana é constituída de proteínas, gorduras e açúcares. Estes elementos são encontrados em proporções diferentes em quase todos os alimentos, desde frutas, grãos, verduras, carnes, leite, etc. Nesses três grupos básicos, existem os mais saudáveis e os menos saudáveis.

Entre as principais fontes de proteínas, estão o leite e seus derivados, as carnes e os ovos. Recomendam-se os leites desnatados por conterem menos calorias e menos gorduras. Entre os derivados do leite, é preferível escolher os queijos magros, brancos, pois os amarelos e os cremosos geralmente contêm mais gordura.

Entre as carnes, a mais recomendável é a de peixe. As demais, como as de gado, aves e suínos também são indispensáveis como fontes de proteínas, porém, devemos sempre preferir as magras às gordas, evitando, por exemplo, pele de carne de aves.

A outra fonte importante e barata de proteínas está na clara de ovos. A gema de ovos por alguns é condenada; já por outros não.

EXISTEM OS QUE ACUSAM A GEMA DE CONTER ALTOS TEORES DE COLESTEROL.

As gorduras que se recomendam evitar são aquelas submetidas a altas temperaturas, como acontece durante as frituras.

Aconselham-se as gorduras não saturadas, como o azeite de oliva, granola, girassol, milho ou soja, nesta ordem, segundo alguns autores. Podemos observar que esta seqüência envolve valores pecuniários.

Existem os glicídios ou açucares de diversos tipos, os quais são obtidos em diferentes fontes. Alguns são considerados mais e outros menos prejudiciais. Consideram-se mais prejudiciais os açúcares industrializados, refinados e são mais recomendados os oriundos de frutas e verduras não industrializadas. A principal fonte de glicídios para os seres humanos vem dos grãos, como arroz, trigo, aveia, etc. O amido, por ação da saliva, é transformado em açúcar, por isso sabe-se que o pão, os bolos, as bolachas, as cucas, os biscoitos são basicamente açúcar. Como prova, basta deixar um pedaço de pão ou bolacha, mesmo sendo salgada, durante alguns minutos desmanchando na boca, sem deglutir; podemos observar que, aos poucos, irá ficando cada vez mais doce.

Considerações sobre o colesterol, apontado como o maior inimigo de nossas artérias

Primeiro, é necessário alertar que mais da metade do colesterol no nosso sangue é formado pelo fígado, motivo pelo qual as dietas para baixar o colesterol fracassam para a grande maioria das pessoas.

Em segundo lugar, o colesterol é muito necessário para que uma pessoa seja sadia. Hormônios, membranas celulares, elementos da bile e da pele necessitam do colesterol para a sua formação, portanto, necessitamos ter colesterol no nosso corpo para termos saúde. Os problemas decorrentes de níveis elevados de colesterol podem surgir ou serem agravados se tivermos outros fatores implicados na formação da arteriosclerose.

Dos fatores envolvidos na gênese da arterioesclerose fatores, poderemos mudar ou corrigir alguns, já outros não. Podemos deixar de fumar, corrigir a hipertensão arterial, emagrecer, manter uma atividade física regular, evitar certos medicamentos, corrigir o diabete. Já a idade e o sexo não temos como mudar. Podemos atenuar a influência da hereditariedade, mas o que herdamos de nossos ancestrais está gravado nos nossos gens. Mesmo não tendo como mudar a herança familiar, podemos interferir para que esta não se manifeste em toda a sua potencialidade. O primeiro passo é saber se temos predisposição genética para as doenças degenerativas decorrentes da arteriosclerose. Se a tivermos, devemos atuar com mais energia procurando atenuar os efeitos negativos dos demais fatores de risco envolvidos na gênese desta degeneração das artérias.

A dieta para prevenir estas doenças deve começar na infância visando a retardar ao máximo suas manifestações potenciais. É bem mais fácil evitar do que combater as doenças degenerativas. Se os pais receberem orientação adequada, cedo perceberão a necessidade de prevenir problemas futuros de seus filhos e saberão que, para evitá-los, uma alimentação sadia desde a infância é fundamental.

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PRESSÃO BAIXA

PRESSÃO BAIXA

Sinônimos: Hipotensão arterial, Choque, Hipotensão postural

O QUE É?

Pressão arterial baixa pode significar ou não uma doença, um sinal indicativo de uma doença de maior ou menor gravidade. Nos casos de doenças mais graves, a queda da pressão é uma das manifestações de enfermidades que costumam estar acompanhadas de outros sinais e sintomas que dominam o quadro clínico.

Podemos dizer que a grande maioria das pessoas que se queixa, atribuindo seus sintomas à queda da pressão arterial, são pessoas sadias, que não estão doentes, pelo menos fisicamente. Quem pode dizer se a pessoa apresenta alguma doença que provoca a baixa da pressão é o médico.

Ter a pressão arterial baixa é uma das queixas mais freqüentes e, na grande maioria dos casos, é um sinal de boa saúde. Os médicos afirmam isso por saberem que os portadores de pressão arterial baixa costumam ser saudáveis e que, provavelmente, terão vida longa.

NÍVEIS

Em se tratando de pessoas adultas, considera-se como pressão arterial baixa, quando os níveis da máxima estão abaixo de 90 mm Hg (ou 9 cm de Hg). Existem pessoas sadias que apresentam níveis até mais baixos e que, nem por isso, apresentam sintomas. Por sua vez, há pessoas com uma pressão arterial habitualmente alta que, quando apresentam algum problema de saúde, esta pressão poderá cair para níveis inferiores aos que estão habituados. Por exemplo: alguém que apresente uma pressão arterial máxima de 110 mm, quando o seu habitual é de 180 m HG Hg, poderá sentir, nesta situação, manifestações decorrentes da queda dos níveis de pressão habituais. Nestes casos, um médico deverá avaliar e orientar o tratamento.

QUANDO DEVEMOS NOS PREOCUPAR?

Em algumas situações de doenças mais graves, podem ocorrer quedas de pressão significativas que provocam manifestações, inclusive a morte.

A situação de pressão baixa mais grave é denominada de choque, que acontece quando a pressão do sangue nas artérias é insuficiente para manter a irrigação dos tecidos. É o que pode acontecer em:

hemorragias externas profusas (abundantes)
reações alérgicas a medicamentos
picadas de insetos
envenenamentos
traumatismos
desidratação 
sangramentos internos
queimaduras extensas e profundas 
intoxicações severas
doenças da glândula supra-renal
algumas doenças do coração, agudas ou crônicas
moléstias agudas dos pulmões, tanto dos seus vasos quanto em infecções severas

São situações clínicas graves e alarmantes, acompanhadas de outros sintomas, tais como: dores, suores abundantes, aceleração dos batimentos cardíacos, perdas de consciência, parada do funcionamento dos rins, etc.

Nestas doenças, os sintomas dominantes são as manifestações decorrentes destas enfermidades, e a pressão baixa é um achado do exame clínico que ajuda o médico a fazer o diagnóstico. Estes pacientes, de um modo geral, nem se dão conta de que sua pressão arterial caiu.

Tais situações clínicas costumam exigir atendimento médico de urgência, podendo a sua protelação até ser fatal! Situações Crônicas

Além das doenças mais agudas já citadas, outras enfermidades, ditas crônicas e consideradas como debilitantes, podem provocar diminuição dos níveis de pressão arterial. Os sintomas causados por estas enfermidades também dominam o quadro clínico e a diminuição da pressão é somente mais uma das manifestações do quadro clínico da doença principal.

A grande maioria dos casos de diminuição da pressão arterial não tem maior significado clínico, embora possam ser desagradáveis para os acometidos e apresentem algumas conseqüências, de uma maneira geral, menos graves.

OUTRAS CAUSAS PARA A QUEDA DE PRESSÃO

Uma das causas mais freqüentes de diminuição da pressão arterial é denominada de hipotensão postural, que acontece quando as pessoas, ao mudarem subitamente a posição do corpo, sentem tonturas ou a visão turva, sensação que passa em alguns segundos. É o que ocorre quando alguém, depois de estar durante muito tempo agachado, ao levantar-se subitamente, sente-te tonto e a visão embaralhada, chegando a oscilar o corpo ou mesmo a cair. Todavia, isso nem sempre significa doença, e acontece principalmente em pessoas não condicionadas fisicamente.

Pessoas desidratadas, como as que recebem altas doses de diuréticos, também podem apresentar quedas de pressão ao mudarem subitamente de uma posição para outra.
As baixas de pressão arterial são também uma manifestação freqüente em pessoas convalescendo de doenças ou que permaneceram por muitos dias acamadas. Nestes casos, a freqüência cardíaca costuma subir de 15 ou mais batimentos por minuto devido à diminuição da pressão arterial.

Pessoas que recebem certos medicamentos para baixar a pressão arterial, ou portadores de doenças neurológicas, endócrinas, como diabete,também podem apresentar queda de pressão, ao passarem da posição deitada, ou sentada, para ficarem de pé. Nestas situações, a queda de pressão provoca nenhuma ou apenas uma discreta elevação da freqüência dos batimentos do coração.

OBSERVAÇÃO IMPORTANTE

A grande maioria das pessoas que afirma ou acredita ter a pressão baixa costuma fazê-lo por se sentir cansada, adinâmica, sem vontade para agir, sonolenta, foge do trabalho, tem constantemente desejos de deitar, sem vontade de fazer sexo, e acorda mais cansada do que estava à noite ao ir dormir; além disso, diz sentir muito frio.

Estas manifestações são mais provavelmente sintomas de depressão.

Pode acontecer dos pacientes atribuirem estes sintomas à pressão baixa por terem entendido mal as informações do médico que, ao falar em manifestações sugestivas "de depressão", seja interpretado como tendo se referido à manifestações decorrentes "da pressão". Depressão e queda de pressão são coisas diferentes, nem sempre bem explicadas aos que consultam por estes sintomas. Pessoas que apresentam sintomas depressivos, assim como as que têm quedas de pressão transitórias, provocadas por mudanças de posição corporal, costumam melhorar de seus sintomas ao fazerem exercícios físicos regularmente. Isto acontece, em primeiro lugar, por liberarem as endorfinas com a atividade física, desse modo, abafando as sensações depressivas. Em segundo lugar, por condicionarem o corpo e, por isso, podem obter mais rápida acomodação da pressão arterial e distribuição do sangue quando houver mudança da posição corporal.

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PERICARDITES

PERICARDITES

O pericárdio é composto de duas camadas de um tecido fibroso pouco distensível. Dessas camadas, a interna, denominada de visceral está aderida e praticamente fazendo parte do coração. A outra, a externa, denominada parietal, está em volta dessa primeira. Elas estão separada por um espaço virtual que contém uma pequena quantidade de líquido. Essa segunda camada mantém o coração fixado no seu lugar dentro do tórax e evita o contato direto do coração com as estruturas vizinhas.

Quando o pericárdio está inflamado ou infectado dizemos haver uma pericardite que pode ser um dos tipos de pericardite abaixo descritos.

PERICARDITE VIRAL

Pode ser causada por diversos vírus, as coxsaquieviroses, os ecovírus e os vírus da gripe, da varicela, hepatite, caxumba e HIV, são os mais freqüentes.

A doença atinge mais a homens com menos de 50 anos, principalmente depois de doenças infecciosas das vias aéreas superiores.

O diagnóstico geralmente é feito em bases clínicas. Em alguns casos, o derrame entre as duas camadas do pericárdio pode ser de proporções maiores, provocando o tamponamento cardíaco. Em raros casos, a doença torna-se crônica, podendo resultar em pericardite constritiva, que pela retração cicatricial do pericárdio provoca o encarceramento do coração. Nessa situação há necessidade de operar, retirando-se o pericárdio em torno do coração.

Os casos mais benignos são tratados com aspirina ou outro anti-inflamatório. Em raros pacientes, que não respondem ao tratamento, os corticosteróides podem ser usados.

O controle da evolução e o tratamento devem ser feitos por médico.

PERICARDITE TUBERCULOSA

É rara nos países desenvolvidos e comum em outras áreas. Atinge o pericárdio diretamente via linfática ou por disseminação hematógena. Pode haver comprometimento ou não do pulmão, contudo o derrame pleural freqüentemente acompanha a pericardite.

O desenvolvimento da doença costuma ser subagudo com o paciente apresentando cansaço, febre e suores noturnos.

O diagnóstico não é fácil, pode ser suspeitado havendo evidência do bacilo álcool-ácido resistente (BAAR) em outras partes do doente. A positividade do BAAR no líquido retirado do saco pericárdico é muito baixa, do mesmo modo que o é no tecido biopsiado. Alguns pacientes que não respondem bem ao tratamento conservador antituberculose necessitam ser operados para retiraram o pericárdio.

PERICARDITE URÊMICA

Pacientes com insuficiência renal podem apresentar pericardite.

Os sintomas são semelhantes às outras pericardites, mas geralmente se acompanham das manifestações metabólicas decorrentes da uremia. Muitas vezes a pericardite urêmica é diagnosticada pela dor pré-cordial apresentada pelos pacientes.

O tratamento é o da doença básica que levou a pessoa à insuficiência renal ou o tratamento da remissão isoladamente.

PERICARDITE NEOPLÁSICA

A disseminação de um câncer adjacente de pulmão ou de mama, a disseminação de um carcinoma de rim, linfomas que envolvem o pericárdio e outros cânceres podem causar um derrame pericárdico e tamponamento do coração. Em geral, não há muitos sintomas e os que existem podem ser atribuídos à doença básica com suas repercussões hemodinâmicas.

O diagnóstico pode ser particularmente difícil se o paciente foi submetido a radioterapia numa área que abrangeu o pericárdio.

O prognóstico para pericardite neoplásica é mau, geralmente o paciente morre antes de um ano.

Do tratamento cirúrgico fazem parte a abertura de uma janela no pericárdio para drenar o líquido ou a pericardiectomia. Também se tenta a instilação de tetraciclina no saco pericárdico, o que em alguns casos evita a recidiva do derrame.

PERICARDITE PÓS- RADIAÇÃO

A irradiação que atinge a área cardíaca pode desencadear uma reação fibrótica que se apresenta com uma pericardite subaguda ou constritiva. Ela pode aparecer dentro de um ano depois da irradiação, mas existem casos em que apareceu anos depois. A solução muitas vezes é cirúrgica.

PERICARDITE PÓS- INFARTO DO MIOCÁRDIO

É uma complicação do infarto agudo do miocárdio que aparece de 3 a 5 dias depois de um infarto transmural. O sintoma é de dor pré-cordial recorrente, geralmente atribuída ao próprio infarto. No eletrocardiograma aparecem mudanças confundíveis com alterações isquêmicas. Grandes derrames são raros. Muitas vezes pode-se auscultar um atrito pericárdico.

A síndrome de Dressler(SD) é uma pericardite que ocorre semanas ou meses depois do infarto ou depois de cirurgias cardíacas. Pode ser recorrente e é provavelmente uma resposta auto-imune. É manifesta por febre, dor, mal-estar leucocitose e hemossedimentação elevada. O derrame pericárdico pode ser grande na síndrome de Dressler que ocorre depois de infarto e não depois de cirurgias cardíacas.

Pode haver resposta terapêutica com o uso de anti-inflamatórios.

PERICARDITES MAIS RARAS

São as atribuídas ao uso de medicamentos como o minoxidil e a penicilina. Pode ocorrer também nos pacientes com mixedema (Hipotireoidismo), lúpus eritematoso e artrite reumatóide.

PERICARDITE CONSTRITIVA

A inflamação do pericárdio pode levar ao seu espessamento e diminuição da distensibilidade por fibrose e por aderência ao coração, dificultando o enchimento do coração durante a diástole. Isso dificulta o retorno do sangue ao coração. Pode seguir-se a uma pericardite de qualquer etiologia. Atualmente é mais freqüente nas pericardites pós irradiação e depois de cirurgias cardíacas.

Os principais sintomas são fadiga progressiva, falta de ar, fraqueza, edema, congestão do fígado e ascite. O que chama mais a atenção nesses pacientes é a distensão persistente das veias do pescoço, mesmo com a pessoa em pé ou inspirando fundo.

Para confirmarmos o diagnóstico, o raio-x geralmente mostra um coração de tamanho normal e só é útil se mostrar calcificações. O ecocardiograma pode mostrar o pericárdio espessado e cavidades cardíacas pequenas. A tomografia e a ressonância magnética podem mostrar melhor as alterações já mostradas no ecocardiograma.

O tratamento inclui o uso de diuréticos e a remoção cirúrgica do pericárdio. A mortalidade dessa operação é alta.

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OS EXAMES PARA CARDIOLOGIA

OS EXAMES PARA CARDIOLOGIA

Existem diversos exames para diagnosticarmos doenças do coração. Quais os exames que um paciente deve realizar é uma decisão que cabe ao médico que se baseará na história clínica e nos achados de exame clínico feitos no paciente. A sua decisão vai se basear também nos fatores de risco detectados e na intensidade dos sintomas e sinais encontrados.

Para sabermos se existe uma doença cardíaca geralmente se começa pelos exames mais simples e vai-se progredindo até os mais complicados, os de maior risco e os mais onerosos. Essa ordem pode ser alterada conforme a gravidade de um determinado caso.

Os testes podem ser invasivos e não invasivos.

São testes invasivos:

Ecografia transesofágica.
Cintilografia.
Cateterismo cardíaco.

São testes não invasivos:

Eletrocardiograma de repouso (ECG)
Radiografia de tórax
Monitorização do ECG por Holter
Ecocardiograma
Teste de esforço
Tomografia do coração e vasos
Ressonância magnética do coração e vasos (RM)
Angiografia digital.

TESTES INVASIVOS

Ecografia transesofágica

É uma ecografia semelhante as não invasoras, em que o aparelho é colocado dentro do esôfago, o que, pela proximidade do coração, permite uma melhor avaliação dos detalhes de algumas válvulas cardíacas. É particularmente útil no diagnóstico de lesões em válvulas causadas pela endocardite.

Cintilografia miocárdica

É um teste em que a captação de um radioisótopo pelo músculo cardíaco é proporcional à sua perfusão. Pode-se fazer o exame em repouso ou sob esforço físico ou farmacológico. Zonas isquêmicas, menos bem perfundidas serão reveladas.

Com o passar do tempo as zonas isquêmicas, com pouco contraste podem ficar iguais às bem perfundidas mostrando ser transitória a isquemia. Diminuição de perfusão que persiste depois de 3 a 4 horas, geralmente indica a existência de zonas de infarto, recente ou antigo.

Algumas doenças infiltrativas do coração, bloqueios de ramo e miocardiopatias dilatadas podem apresentar distúrbios de perfusão persistentes. A cintilografia miocárdica sob esforço tem um índice de acerto de 75 até 90% e um índice de falso-positivo de até 30% (ou seja, de dar positivo quando não é).

A cintilografia miocárdica está indicada para os seguintes casos:

1. Quando o ECG de repouso ou esforço é difícil de interpretar devido alterações como bloqueio de ramo, baixa voltagem, alterações metabólicas.

2. Para confirmar ou invalidar o resultado de um ECG de esforço, quando o traçado não concorda com o quadro clínico.

3. Localizar a zona de isquemia.

4. Diferenciar uma área de isquemia da de um infarto.

5. Para confirmar a revascularização depois de uma cirurgia de bypass.

6. Como um indicador de prognóstico em pacientes com doença coronária conhecida.

Uma das limitações para a realização mais seguida desse exame, em nosso meio, é o seu alto custo.

Cateterismo cardíaco

Através de uma artéria, é introduzido um cateter (sonda) que é dirigido até a aorta e aí nas coronárias, para obtermos a coronariografia ou então cinecoronariografia. Se o cateter ultrapassar a válvula aórtica atingindo o ventrículo esquerdo, injeta-se um contraste para obtermos a angiografia do ventrículo esquerdo. A injeção do contraste radiopaco vai gerar as imagens que podem ser fotografadas ou filmadas ou gravadas em computador.

Quando o contraste é injetado nas coronárias, obtemos imagens que, sendo filmadas, originam a cinecoronariografia, termo muitas vezes usado como sinônimo de cateterismo cardíaco. As imagens assim obtidas permitem ver as artérias coronárias e ver se estão abertas ou obstruídas, parcial ou totalmente.

A coronariografia é o exame mais definitivo para o diagnóstico das doenças desses vasos.

A mortalidade pelo exame é de 0,1 % e a morbidade é de 1 até 5 %, o seu preço é elevado, e por isso é pouco usada como método de diagnóstico de coronariopatias.

A coronariografia está indicada em:

1. Pacientes em estudo para realização de cirurgia de revascularização ou procedimentos de dilatação das coronárias, naqueles pacientes que não responderam bem à terapêutica conservadora com medicamentos.

2. Pacientes em que se considera a possibilidade de intervenções, como no ítem anterior, por apresentarem angina instável, angina pós-infarto ou naqueles em que os testes não invasivos mostram grande probabilidade de doença de alto risco.

3. Também se faz esse exame em pacientes que tem estenose da válvula aórtica e que apresentam manifestações sugestivas de doença isquêmica. Nesses casos é importante poder saber se as manifestações isquêmicas são causadas pelo baixo débito decorrente da estenose ou se os sintomas são provocados pela doença das coronárias. Um outro motivo para realizar a coronariografia é naqueles pacientes que deverão ser submetidos a uma cirurgia cardíaca por outra razão. Se for detectada uma doença isquêmica, se poderá, num mesmo procedimento, corrigir as duas enfermidades.

4. Pacientes que foram submetidos a cirurgia de revascularização nos quais os sintomas isquêmicos retornaram. Usa-se para saber se o bypass ou outros vasos estão obstruídos.

5. Pacientes com insuficiência cardíaca nos quais se suspeita de uma doença cardíaca corrigível pela cirurgia, como aneurisma ventricular, insuficiência mitral ou disfunção isquêmica reversível.

6. Pacientes com arritmias graves que possam ter sido provocadas por doença coronariana corrigível.

7. Pacientes com dores no peito de causa desconhecida ou com miocardiopatias de etiologia desconhecida.

A coronariografia mostra o local, o número e o grau de obstrução dos vasos. As obstruções maiores de 50% geralmente são consideradas de significado clinico, embora as obstruções maiores de 70% sejam as que provocam as manifestações isquêmicas. Essas informações são de valor prognóstico.

Prognósticos baseados na coronariografia

O prognóstico difere se tivermos uma, duas ou as três coronárias doentes, e é pior se a principal artéria coronária esquerda estiver comprometida.

Em pacientes com angina estável, 20% têm uma, 30% têm duas e 50% têm as três coronárias doentes. Em 10% encontramos a coronária esquerda principal atingida.

Dos pacientes que têm o ECG de esforço muito alterado ou estudos cintilográficos fortemente positivos, 75 até 95% têm três vasos, ou a artéria principal esquerda, doentes.

Um outro dado importante obtido com a coronariografia é que ela mostra quais os vasos e se esses vasos devem ser submetidos a angioplastia coronária ou se há indicação de cirurgia de revascularização.

TESTES NÃO INVASIVOS

(ECG) Eletrocardiograma de repouso

É um dos exames mais realizados. É um exame barato, rápido e fácil de fazer. Exige um aparelho relativamente barato.

As informações dadas pelo exame são relativamente fidedignas, 25 % dos pacientes com angina tem o ECG normal. As alterações decorrentes de angina no ECG podem se confundir com mudanças causada por hipertrofias ventriculares, distúrbios de condução seqüelas de infartos antigos, etc.

O ECG é útil para o controle evolutivo de uma doença cardíaca já confirmadas por outros métodos de diagnóstico.

(ECG esf.) Eletrocardiograma de esforço

O eletrocardiógrafo necessita ser acompanhado de um outro (Esteira ou bicicleta ergométrica) o que já o torna mais oneroso.

O ECG de esforço é o exame não invasor mais útil para avaliar um paciente com angina, principalmente naquele paciente que tem o ECG de repouso normal.

Serve para avaliar o coração sob condições de estresse. Se o ECG de repouso for normal e a história do paciente for sugestiva de uma doença do coração, o ECG de esforço pode mostrar alterações não reveladas no ECG de repouso.

As principais indicações do ECG de esforço são:

1. Confirmar o diagnóstico de angina.

2. Determinar a severidade da limitação causada pela angina.

3. Determinar o prognóstico com doença coronária conhecida, inclusive nos infartados em recuperação, afim de detectar os pacientes de risco maior ou menor.

4. Avaliar a resposta ao tratamento

5. Também usado como screening para descobrir, entre a população assintomática, os portadores de doença.

Existem diversos protocolos para a realização do ECG de esforço. O mais usado é o de Bruce, que aumenta a velocidade e a elevação da esteira a cada 3 minutos e é limitado pelos sintomas.

Pelo ECG de esforço podem ocorrer mortes ou infartos; a incidência é de 1 acidente por cada 1000 exames realizados. O perigo é maior nos pacientes com angina instável. A estenose aórtica é uma contra-indicação para o exame. O teste deve ser abortado se ocorrer hipotensão arterial, angina persistente, arritmias importantes ou alterações no ECG. Se houver mais do que 3 a 4 mm de depressão no segmento ST deve-se suspender o esforço antes de chegar ao limite determinado para a idade e doença do paciente.

Quem deve indicar a realização de um Eletrocardiograma de esforço é o seu médico. Não faça o exame por conta própria.O exame só deve ser realizado na presença de um médico especialista.

Radiografia de tórax

Uma radiografia pode revelar se há crescimento da cavidades ou de todo o coração. Pode mostra alterações vasculares ou pulmonares como causa ou repercussão de uma doença cardíaca.

Monitorização (Holter)

Aparelho usado para registrarmos um eletrocardiograma durante muitas horas afim de detectarmos arritmias. O paciente registra num diário as suas atividades e sintomas afim de podermos correlacionar esses dados com eventuais arritmias registradas.

Monitorização de pressão arterial

Esse aparelho mede e registra a pressão arterial a intervalos determinados durante varias horas. Serve para verificarmos as oscilações da pressão arterial conforme as diversas influências a qual uma pessoa é submetida durante as 24 horas.

Ecocardiograma 

É um exame que permite avaliar as medidas e a mobilidade das paredes das diferentes cavidades do coração, as válvulas cardíacas e sua capacidade funcional, o fluxo do sangue e a direção desse fluxo. Revela ainda anomalias congênitas ou adquiridas do coração. Analisa o pericárdio, revelando e a presença ou não de derrames. Por dados obtidos no ecocardiograma, podemos avaliar a função do coração e através de exames periódicos fazer um diagnóstico evolutivo de doenças e suas conseqüências.

Tomografia computadorizada (TC)

É um exame oneroso, mas que pode oferecer boas imagens do coração e detalhes de suas partes. A tomografia de coronárias é, hoje, um dos principais exames, não invasivos e mais objetivos, para se detectar doenças obstrutivas de artérias coronárias ou, então, se revelar a probabildade de doença presente ou futura de coronárias, baseado-se no índice de cálcio. Este exame é realizado, principalmente, quando se suspeita de doença coronária. Ele também é usado em pacientes com evidências de doença coronária e que não querem se submeter à cinecoronariografia. De um modo geral, se a angiotomografia revelar doença coronária grave, o paciente deve ser submetido a cinecoronariografia, a qual auxilia com maior precisão na indicação terapêutica a ser seguida, que pode ir desde a cirurgia, com pontes de safena e mamária, ou a colocação de stents, ou condutas conservadoras. O exame é feito com a injeção de um contraste numa veia e, na seqüência, são realizadas um grande número de tomografias em poucos segundos e, a seguir, o computador funde as imagens fornecendo aos médicos dados anatômicos bastante precisos para orientar a conduta médica. É usada, também, para a avaliação da aorta, massas como coágulos ou tumores, ou doenças do pericárdio. O exame é muito seguro. Devemos cuidar com a alergia aos contrastes que contenham iodo.
Ressonância magnética (RM)

O computador gera imagens que permitem uma boa observação do miocárdio, identificar zonas lesadas por um infarto, mostrar defeitos congênitos e avaliar os vasos de maior calibre como a aorta.

A sua vantagem sobre a TC é a de não ser prejudicial ao organismo por não ser uma energia ionizante, gerar imagens de alta resolução sem usar contrastes, dar imagens tridimensionais, terem alto índice de contraste quanto aos diferentes tecidos, e por produzir imagens que não são distorcidas pela presença de ar ou líquidos em torno das estruturas que se quer observar.

O exame é particularmente útil para diagnosticar doenças da aorta, do pericárdio, doenças congênitas antes ou depois de correções cirúrgicas, doenças do músculo cardíaco, principalmente tumores cardíacos ou do pulmão que, por vizinhança, tenham invadido o coração.

A ressonância magnética pode também ser usada para avaliar a morfologia das câmaras cardíacas, a função global ou regional dos ventrículos e a existência de regurgitações valvulares.

Existem estudos para a aplicação da RM no estudo dos fluxos de sangue nas coronárias, no músculo cardíaco com ou sem o uso de substâncias estressantes para o coração.

Angiografia digital

É o registro de imagens de vasos. Esse método é usado para avaliar os vasos do coração ou cérebro e permite ver se existe e onde existe uma obstrução ou diminuição de fluxo do sangue. Usa-se para isso um contraste que é injetado numa veia. O aparelho de RX deve ser capaz de obter imagens muito rapidamente.


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O SEXO DEPOIS DO INFARTO

O SEXO DEPOIS DO INFARTO

A maioria das pessoas que já teve um infarto sabe que pode voltar a ter uma vida sexual satisfatória como antes de ser atingida pela doença.

O infarto não significa o fim da vida sexual. Ela tende mesmo a se tornar mais gratificante se a pessoa dedicar parte do seu tempo ao repouso e às atividades sociais e recreativas.

Nos primeiros tempos depois do infarto, a atividade sexual geralmente é proibida. Espere até a recuperação do coração. Ouça o seu médico quando chegar a esse ponto.

MITOS SOBRE SEXO E CORAÇÃO

Existem diversos mitos sobre sexo e coração.

O mais corrente é o de que a atividade sexual causa o infarto. Isso não é verdade.

Não existem razões médicas para que uma pessoa recuperada do infarto não volte à sua atividade sexual anterior ao infarto. Fale com seu médico se tiver dúvidas.

O medo a respeito da performance e o medo de ter um novo infarto, junto com a depressão, são dois fatores psicológicos que reduzem o interesse e a capacidade. A depressão é freqüente depois de um infarto, ocorrendo em 85% dos casos e costuma passar depois de três meses. Contudo, ela pode perdurar ou mesmo se agravar, se já existiam problemas sexuais entre o casal antes do infarto.

Para um sexo normal devem existir duas pessoas e os dois devem participar da decisão de voltar à atividade anterior.

Muitas vezes o cônjuge não infartado foge do sexo por temer que algo possa acontecer ao parceiro durante o ato.

O casal pode se preparar para o sexo de diversas maneiras. Primeiro, deve manter e melhorar suas condições físicas e de higiene pessoal. Os deprimidos não gostam de tomar banho.

Os dois devem procurar ser mais tolerantes com as emoções do parceiro, pois são freqüentes as mudanças de temperamento depois de uma doença grave.

REINICIANDO A ATIVIDADE SEXUAL

Quando voltar a praticar sexo, fale com seu médico, escute o que ele tem a lhe dizer. Caso sinta-se apto, mas seu médico ainda lhe desaconselhar, procure debater mais esse assunto com ele. Inicie as atividades quando estiver bem descansado, relaxado, livre das situações estressantes advindas dos problemas diários.

Espere de 2 até 3 horas após as refeições para iniciar uma atividade sexual.
Procure um lugar tranqüilo, livre de interrupções. Desligue o telefone.
Se necessário, existem medicações para melhorar a performance.
Use somente as prescritas por seu médico.
Lembre-se que alguns medicamentos para esse fim podem ser prejudiciais ao seu coração.
Não siga conselhos de amigos ou outros profissionais.
Se o esforço durante o ato sexual o deixar exageradamente cansado, procure posições mais confortáveis, deixe que o parceiro sadio faça a maior força. Se estiver muito cansado, interrompa o ato.

Volte a tentar depois de algum tempo, depois de recuperado. O orgasmo não é imprescindível. À medida que a sua performance for melhorando pelo recondicionamento físico, ao qual todo o infartado deve se submeter, o desempenho sexual tende a melhorar. A melhora da performance física aumenta a autoconfiança e estima.
Procure reiniciar as atividade sexuais com quem você está acostumado.
Essa pessoa certamente será mais tolerante com uma incapacidade passageira. Para os homens, se isso acontecer, você sabe que poderá contar com a sua discrição e boa vontade para tentar outra vez, mais adiante.

Não desista!



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O CORAÇÃO E A ASPIRINA

O CORAÇÃO E A ASPIRINA

DADOS HISTÓRICOS SOBRE A ASPIRINA

A aspirina, usada desde 1875, é a substância salicilato de sódio derivada da planta Salix alba, usada como antitérmico desde a Antigüidade. O chá de Sabugueiro (Sambucus nigra), no Brasil, é usado como antitérmico e analgésico. A aspirina obtida de fontes naturais é mais cara do que a produzida industrialmente.

Desde a sua descoberta e a produção industrial da aspirina, ela sempre foi usada como analgésico e antitérmico. Ela tem ainda outras propriedades terapêuticas, como antiinflamatório, uricosúrico e estimulante. Se admite que a aspirina seja o estimulante mais usado em todo o mundo. Muitas pessoas tomam a aspirina como profilático, "para não terem dor de cabeça". Pode-se reconhecer pessoas viciadas em aspirina por terem um modo particular de falar.

Em 1920, o laboratório Beyer, da Alemanha que lançou a aspirina industrial no mercado, acrescentou ao seu produto o slogan " "A Aspirina não faz mal ao coração". Se dizia na época ser ela prejudicial ao coração. Por ironia da história, os anos revelaram o contrário.

Por dia, se consomem, só nos Estado Unidos, 80 milhões de comprimidos de aspirina. A produção de aspirina no Brasil cobre 80% do seu consumo, o restante é importado. Durante muitos anos a aspirina era oferecida no mercado associada à cafeína visando diminuir os efeitos depressivos dela ao coração. Ainda hoje existem no mercado muitos produtos onde a aspirina é oferecida junto com outros medicamentos visando diminuir os seus efeitos indesejáveis sobre o sistema digestivo. Esses produtos geralmente são bem mais caros e não oferecem vantagens para a grande maioria dos pacientes. A aspirina desde a sua descoberta está cercada de opiniões divergentes quanto ao seu uso, indicações, riscos e benefícios. Não poderia ser diferente quando se trata de sua indicação mais recente, qual seja a de prevenir as doenças cardiovasculares: angina, infarto, derrame, etc.

ARGUMENTOS A FAVOR DO USO DA ASPIRINA

1. Aspirina ajuda a prevenir ataques cardíacos e acidentes vasculares cerebrais isquêmicos.

2. A aspirina é um medicamento eficaz e barato.

3. A aspirina interfere na produção de plaquetas e assim altera o propensão para a formação de trombos (coágulos) reduzindo os riscos de acidentes cardiovasculares.

4. Por ano morrem nos Estados Unidos cerca de 900.000 pessoas em decorrência de acidentes vasculares cerebrais ou cardíacos. Calcula-se que de 5.000 até 10.000 dessas mortes poderiam ser evitadas com o uso da aspirina.

ARGUMENTOS CONTRA O USO DA ASPIRINA

1. Os acidentes vasculares cerebrais hemorrágicos são mais freqüentes quando o paciente está recebendo aspirina.

2. As evidências sugerem que a aspirina não previne acidentes vasculares cerebrais ou cardíacos em pacientes que não estejam acometidos de doenças vasculares. Alguns estudos sugerem que isso não seja verdade.

3. Nenhum medicamento está isento de riscos. O uso de aspirina pode provocar problemas sérios de saúde.

4. Pela alteração na formação de plaquetas a aspirina dificulta a formação de coágulos. Esse fato pode provocar hemorragias, desde leves até severas. Por esse mecanismo a formação de um trombo vascular pode ser evitada mas em seu lugar ocorrer um sangramento que pode provocar um acidente vascular de maior gravidade.

OS EFEITOS COLATERAIS MAIS FREQÜENTES DA ASPIRINA

1. Irritação do estômago e intestino, provocando azia, dor epigátrica, náuseas, vômitos, sangramentos internos, úlceras e perfurações graves. O uso de bebidas alcoólicas intensifica esses efeitos, incluindo ainda lesões no fígado.

2. Tinitus (Zumbido nos ouvidos) e diminuição da audição, principalmente com doses maiores. Esses efeitos tendem a diminuir com a redução das doses do medicamento.

3. Alergias - cutâneas e respiratórias. Pode provocar asma em 0,2% das pessoas. Em alguns pacientes provoca sangramento pulmonar.

4. Síndrome de Reye - provocada em crianças e que, embora rara, pode ser fatal. Particularmente na varicela a aspirina pode provocar a síndrome de Reye.

QUAL É O RISCO REAL DE TOMAR ASPIRINA?

O estudo básico referente ao uso profilático de aspirina foi realizado em 22.071 médicos entre 40 e 84 anos. A metade recebeu 325 mg de aspirina diariamente e a outra metade recebeu um placebo. Ao final de 5 anos aconteceram 23 acidentes cerebrais hemorrágicos entre os médicos que tomaram aspirina e 12 entre os que receberam o placebo. Estudos posteriores confirmaram esses achados. Pelo número de médicos envolvidos a incidência foi pequena, mas significativa por ter sido o dobro. Esse estudo deveria se prolongar por mais anos, mas no fim dos 5 primeiros, a incidência de acidentes vasculares cardíacos foi tão significativamente menor entre os que recebiam a aspirina, de modo que foi considerado antiético manter o grupo que tomava placebo afastado dos benefícios da aspirina.

Estudos outros acumulando a experiência em 55.462 paciente que receberam ou não aspirinas, todos foram acompanhados durante 37 meses e a dose de aspirina variou de 75 até 413 mg por dia. Em cada 10.000 pessoas que receberam aspirina houve 137 infartos e 39 acidentes vasculares cerebrais isquêmicos a menos. No entanto ocorreram 12 hemorragias cerebrais a mais no grupo que recebeu aspirina. Se considerarmos um outro índice, o de sobrevida, houve 15 % a menos de mortes entre os que receberam aspirina. Houve também 12% a menos de acidentes vasculares cerebrais isquêmicos ou embólicos nesse grupo.

Se pesarmos os prós e os contras quanto ao uso da aspirina ela pende a favor do seu uso. No entanto as chances de benefício variam de pessoa para pessoa, e isso você e o seu médico devem decidir.

FATORES QUE INFLUENCIAM A DECISÃO DE TOMAR OU NÃO TOMAR ASPIRINA

1. Pessoas jovens ou de meia idade e sem evidência de doença cardiovascular provavelmente não se beneficiarão com o uso de aspirina e somente serão expostas aos riscos do seu uso.

2. O risco de acidente vascular cerebral, por exemplo num homem de 40 anos, hipertenso, mas sem outra manifestação de doença cardiovascular existe uma chance de 0,l% ao ano de ocorrerem problemas cardíacos ou cerebrais. Para essa pessoa, tomar aspirina representa um risco maior de ocorrer algo do que aquele que se pretende evitar.

CONCLUSÕES

1. Não existe medicamento milagroso.

2. A aspirina é aquele que mais se aproxima desse objetivo.

3. Os benefícios da aspirina são evidentes e o custo é mínimo.

4. O índice de complicações severas é baixo, mas existem ocorrências fatais, e entre elas as hemorragias digestivas e perfurações de úlceras pépticas.

5. Não deixe de escutar o seu médico se você é, ou não é, uma pessoa indicada para tomar aspirina.

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O COLESTEROL

O COLESTEROL

As gorduras do sangue - os lipídios - são compostos principalmente pelo Colesterol, o HDL Colesterol (chamado de o bom colesterol), o LDL Colesterol (chamado de o mau colesterol) e os Triglicerídios.

A Associação Médica Americana insiste em que os níveis de colesterol normais se situem abaixo de 200 mg % e que o HDL Colesterol esteja acima de 35 mg %.

A Tabela do Massachusetts General Hospital de Boston adota como níveis normais, para as diferentes idades, a tabela abaixo:

COLESTEROL TOTAL

Menos de 29 anos
abaixo de 200 mg %

de 30 até 39 anos
abaixo de 225 mg %

de 40 até 49 anos
abaixo de 245 mg %

acima de 50 anos
abaixo de 265 mg %

PARA O HDL COLESTEROL DÃO COMO VALORES NORMAIS

Homens
de 30 a 70 mg %

Mulheres
de 30 a 90 mg %

PARA O LDL COLESTEROL

homens e mulheres
50 a 190 mg %

OS RISCOS DE DOENÇA CARDIOVASCULAR RELACIONADOS AOS ÍNDICES DOS NÍVEIS DE LIPÍDIOS NO SANGUE, FORMULADOS PELA AAM AMERICANA SÃO:

Colesterol menor do que 200 mg % e HDL Colesterol maior do que 34 mg %.

Se não houver outros fatores de risco, a chance de doença cardiovascular é relativamente pequena. Essa pessoa deve repetir os exames a cada 5 anos e deverá seguir as recomendações para prevenir as doenças cardiovasculares.

Colesterol menor do que 200 mg % e HDL Colesterol maior do que 35 mg %.

Primeiro, deve verificar o LDL Colesterol e falar com o seu médico sobre qual a conduta a seguir. Segundo, controlar os outros fatores de risco e terceiro, aumentar a sua atividade física.

Colesterol entre 200 e 239 mg % e HDL Colesterol acima de 34 mg % e menos do que dois fatores de risco.

Essa situação pode duplicar as chances de ter doença cardiovascular. Os incluídos nesse grupo devem primeiro corrigir os outros fatores de risco; segundo, controlar o colesterol a cada dois anos e terceiro, basicamente, procurar modificar a sua dieta e aumentar sua atividade física. Nem todas as pessoas que têm esses níveis estão realmente ameaçadas de doença cardiovascular. Fale com o seu médico a respeito disso.

Colesterol total de 200 a 239 mg %, HDL Colesterol menor do que 35 mg % e mais do que dois fatores de risco.
Nesse caso a pessoa pode ter uma chance dobrada de doença cardiovascular assim como as pessoas com menos de 200 mg %. Deverá verificar o LDL Colesterol e falar com o seu médico, que o orientará sobre os controles e as medidas a seguir. Também deverá controlar os outros fatores de risco, corrigir a dieta e aumentar a atividade física.

Colesterol acima de 240 mg %.

O risco de doença cardiovascular é grande e maior ainda, se tiver outros fatores de risco. Deverá verificar o LDL Colesterol e mostrar ao seu médico que vai interpretar os exames. O seu médico irá orientá-lo para reduzir esse e os outros fatores de risco.

Como Corrigir o Fator de Risco Colesterol

Nos Estados Unidos, o número de pessoas vitimadas por doenças cardiovasculares está diminuindo de ano para ano, graças a correções dietéticas que as pessoas estão adotando.

Para corrigir seus hábitos alimentares procure saber o que são gorduras saturadas (elevam o mau colesterol (LDL)) e não saturadas (não elevam o colesterol)

GORDURA SATURADA

As gorduras saturadas são a principal causa da elevação dos níveis sangüíneos de Colesterol.

A principal fonte dessas gorduras vem dos animais e de certas plantas. Recomenda-se não ingerir mais do que 200 mg por dia de Colesterol e não mais do que 30 % da ingestão de calorias por dia oriundas de gorduras, com menos de 7% vindo de gorduras saturadas.

Aí se incluem carne de gado, gordura de gado, porco, sebo, manteiga, nata, leite, queijo e outros alimentos derivados do leite. São todos alimentos que contêm colesterol e gorduras saturadas.

Das gorduras de plantas estão incluídas o gordura de coco, azeites tropicais, manteiga de cacau.

GORDURAS HIDROGENADAS

A hidrogenação das gorduras ocorre durante o seu preparo industrial, o que acontece, por exemplo, com a margarina.

GORDURAS NÃO SATURADAS (POLI E MONO)

São geralmente encontradas em gorduras líquidas obtidas de vegetais.

Entre os poli não saturados estão o óleo de sésamo (ou gergelim), girassol, milho, soja, nozes e sementes.

Entre os mono não saturados estão o óleo de canola, amendoim, abacate e o azeite de oliva.

As gorduras não saturadas ajudam a diminuir os níveis de colesterol do sangue quando são usadas na alimentação, como substitutos das gorduras saturadas. Mesmo as margarinas preparadas com essas gorduras devem ser usadas com moderação. A saturação das gorduras não saturadas, pela industrialização, visando torná-las mais espessas, torna-as tão prejudiciais quanto as gorduras saturadas in natura. As gorduras não saturadas também se saturam pelas altas temperaturas ( frituras).

Seguir as recomendações básicas abaixo:

Use óleos naturais, não hidrogenados, tais como de canola e azeite de oliva.
Procure alimentos industrializados produzidos com gorduras não saturadas.
Use margarina como substituto de manteiga, mas procure as margarinas líquidas ou cremosas em vez das mais duras. Procure as que contenham menos de 2 g de gordura saturadas por colher de chá e que, na composição, os azeites líquidos sejam predominantes.
Evite batata frita, sonhos e biscoitos.
Evite os alimentos gordurosos. 
Evite os alimentos industriais e comerciais fritos e confeitados por serem ricos em gorduras.
Evite as refeições rápidas e frituras.


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